Individualidade
Eu
desconheço o autor deste texto. Recebi do Professor Dias
por e-mail com as considerações a seguir: "Prezado
Luiz Otavio. Agradeço o envio do texto e peço desculpas
às alterações que fiz, pois agora passo o mesmo
adiante. Dias"
Para
Carl Gustav Jung a individuação é o grande sentido
da vida.
O
filme Matrix nos ensina, ou, apenas esclarece o que já aconteceu
para alguns de nós. A mudança de padrões e valores
e a importância do Amor Compartilhado.
Trilhar
o caminho da individuação significa deixar-se conduzir
por uma sabedoria maior que Jung denominou Self (o si-mesmo), o centro
ordenador e ao mesmo tempo a totalidade de cada um de nós.
Aquele que se individua se diferencia da multidão inconsciente
e adquire autonomia, tornando-se uma totalidade psicológica,
autoconsciente, sem divisões internas: um “in-divíduo”.
Para Jung, um futuro melhor para a humanidade dependerá de
quantos conseguirem se individuar, integrando o Consciente com o Subconsciente
e como Supraconsciente.
Vivemos
na Matrix, um mundo onde todos estão vivendo uma programação
coletiva, imersos na massa inconsciente, feito uma boiada onde a individualidade
é suplantada pelo coletivo, ou seja, pelos programas mentais
desenvolvidos pelos diferentes Sistemas Organizados de modo Arbitrário,
políticos, sociais e religiosos. Um dia uma pessoa começa
a desconfiar de que talvez exista algo mais e passa a procurar respostas
às suas dúvidas. Passa a viver uma realidade pessoal
que difere da realidade coletiva e, por essa razão passa a
ser considerado diferente, rebelde, ou, herege.
A individualidade nascente sente-se dividida pois ao mesmo tempo que
a nova percepção e o novo nível de consciência
o fascina e atrai, o velho mundo acena com suas velhas e "seguras
certezas" coletivas, através dos Sistemas Organizados
de modo arbitrário. Está estabelecido o conflito. Mais
uma vez A Consciência pode sentir medo de prosseguir, tais as
dificuldades que os demais estabelecem.
Os personagens que representam o novo estado de consciência
têm de ser mais enérgicos e o obrigam a “desrastrear-se”,
a isolar-se. Depois, no auge de seu sofrimento psíquico, ao
lhe ser exposta a verdadeira realidade em que vivia, reluta uma última
vez em aceitar a mudança. Mas já é tarde. Estava
definitivamente transposta uma fronteira decisiva de sua transformação
pessoal.
Não
é fácil o processo de individuação. Conhecer
e realizar toda a potencialidade de si mesmo requer coragem, perseverança
e honestidade. São muitos os obstáculos que surgirão
durante a jornada.
A
maioria dos que são instigados a mergulhar em si mesmos termina
desistindo ante os primeiros desafios e retorna depressa às
velhas seguranças das certezas conquistadas: o velho mundo,
mesmo limitado e com todos os seus problemas, é mais facil
de viver que um mundo novo e desconhecido.
Mudar
requer sempre disposição para reconhecer os próprios
defeitos e isso dói. Dói despregar-se daquilo em que
sempre acreditamos, principalmente em relação a nós
mesmos. Dói perceber que na verdade não somos perfeitos,
que temos falhas e que, para prosseguir, temos de nos livrar delas.
Autoconhecimento traz muitas dores mas é a única estrada
que pode nos libertar e levar à realização pessoal
mais verdadeira, onde concretizamos toda nossa potencialidade adormecida.
A
nova Consciência está insatisfeita com sua vida e vê
surgir a grande oportunidade que sonhava. Vê que sua intuição
lhe falava a verdade e que a realidade é bem maior. Conhece
novas pessoas e idéias que a princípio parecem absurdas.
O processo é difícil e ele várias vezes pensa
em desistir mas aos poucos habitua-se à sua nova auto-imagem.
Com o tempo vê aflorarem novas forças e habilidades e
se sente cada vez mais confiante. No entanto, crer que é o
Predestinado de que fala a profecia já é demais, não
cabe.
Só
mudamos se estamos insatisfeitos. Se não, por que mudar? Quando
nossos valores ficam obsoletos e as verdades em que críamos
já não servem, a vida nos impõe a transformação.
Intuímos
que há algo errado em nossa vida mas não sabemos precisar
o que seja. Aos poucos certos indícios se apresentam e já
não temos como esconder de nós mesmos: o caminho está
à frente e ele nos pede uma confirmação. A vida
nos fará passar por inúmeros testes, nos apresentará
pílulas azuis e vermelhas. Precisamos estar atentos para seguir
a intuição. Ela sabe o caminho.
É
nesses momentos decisivos que surgem os autoboicotes, tão comuns.
Fingimos não ver. Fugimos de um exame de consciência
e refugiamo-nos em velhas e cômodas "verdades". Várias
vezes viveremos o dilema: o novo se apresentará e, os velhos
hábitos nos chamarão de volta, esticando-nos incomodamente
entre dois pólos que nos querem a todo custo. É sempre
um instante delicado pois se continuamos nos recusando a enfrentar
a verdade, a vida chegará a um impasse insuportável
e seu curso natural será barrado. Vêm daí as doenças
e fracassos como mecanismos da psique auto-reguladora para nos obrigar
a uma interiorização, para repensar e retomar o rumo.
Velhos
aspectos da personalidade, que já não nos servem mais,
terão de dar espaço a novas forças.
As
transformações são acentuadas, sim, mas somente
enquanto as olhamos deste lado de cá, do lado do velho mundo.
Depois que largamos o medo de ser o que na verdade sempre fomos, a
transformação revela-se um nascimento onde vemos a vida
através de verdades mais úteis e abrangentes. Continuamos
os mesmos mas diferentes: sabemos exatamente quem somos. É
esse detalhe que nos distinguirá da massa inconsciente de si
mesma.
Olharemos
para trás e perceberemos que todas as quedas e traições
que sofremos foram necessárias, nada foi em vão. Veremos
que todos tiveram seu valor em nossa jornada, os que creram em nós
e até os que nos traíram, cada um em seu papel, e que
tudo sempre esteve interligado. É como se uma força
poderosa e invisível estivesse o tempo todo na condução
dos fatos, confiando em nós.
Chamam
essa força pelo nome de algum deus, Tao, mente cósmica,
destino, Self (Sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo).
Chame como quiser. Essa força existe e aguarda apenas que cada
um de nós, predestinados que somos, decida despertar de vez
e, sair da mesmice coletiva.