Reflexões sobre a Vida

"A vida não tem outro objetivo senão ela mesma, porque a vida é um outro nome para Deus. Tudo o mais na vida pode ter um objetivo, pode ser um meio para um fim, mas ao menos alguma coisa você deve deixar ao final de tudo sem sentido algum. Você pode chamar de existência. Você pode chamar de Deus. Você pode chamar de vida. Estes são diferentes nomes para uma única realidade." - Osho, do livro Mistérios da Vida.

É natural do ser humano querer compreender o sentido da vida. Mas qual é o sentido da vida? Parece natural, também, que a vida seja algo por si só, que não nos pertence e que nada podemos contra seu fluxo natural -se é correto assim dizer. A vida está além da nossa compreensão. Ela pode ser algo sensorial, uma experiência acontecendo em nós e na natureza. Podemos definir a vida de muitos modos, criar ou desenvolver muitas teorias sobre a vida, mas tudo isso não passa de tentativas de colocar a vida dentro de nosso limitado campo de visão e compreensão. Mas nós podemos compreender os conceitos teóricos, não a vida. A vida nos surpreende a cada momento com novas sensações, novas percepções, e nos dá sinais do seu significado - a nossa evolução espiritual. Sabemos desse significado, mas não sabemos se há outros mais. A vida é um mistério absoluto!

Muitas vezes nós queremos controlar a vida. Quando brigamos contra a nossa natureza, estamos indo contra a própria vida; quando nos auto-apiedamos e nos achamos impotentes ou incapazes diante da vida, é como o mais autentico atestado de falta de fé. A vida é por si só uma força que nos ampara e nos supre de todas as nossas necessidades a partir do momento que entendemos a lei do menor esforço em sua essência. Controlar a vida é o mesmo que controlar Deus - impossível; não confiar na vida é o mesmo que não confiar em Deus - mais comum que se imagina. Nós não podemos compreender a vida, assim como não podemos compreender Deus. Isso está além da nossa capacidade humana. Nossas faculdades e sentidos ainda são precários para tanto. Só quando alcançarmos estados muito mais elevados de consciência, talvez consigamos nos aproximar dessa compreensão. O que nos resta é aceitar a vida como ela É em todas as suas manifestações e aproveitar bem todas as experiências que ela nos oferece. Assim estaremos evoluindo cada vez mais conscientes e cada vez mais ampliando as nossas percepções sensoriais da vida.

Simplificando a Vida

Seja você mesmo (a), siga a sua natureza, não importa o que os outros pensem ou falem a respeito. Ame a si acima de tudo. Isso mesmo, ame a si em primeiro lugar porque de outro modo você não amará ninguém, nem mesmo a Deus. O amor é um florescimento e dele surge uma fragrância que se espalha por todos os lugares por onde você anda, envolve todos os seres e toda a natureza se beneficia. Mas se você não florescer não amará ninguém.

Cuide bem do seu corpo. Ele é o presente mais belo que a vida deu a você, mas não se apegue demais a ele, pois um dia terá de deixá-lo também. Repare o que você está fazendo com ele. Alimente-se de modo saudável, movimente-se, vista-se bem, perfume-se, alinhe o cabelo, permita-se sentir prazer com o seu corpo. É no corpo que todas as coisas acontecem. Nele você sente amor e ódio, calor e frio, coragem e medo; todas as descargas bioquímicas que geram emoções acontecem aí e são sentidas nele. Aprenda a lidar com tudo isso.

Vigie seus pensamentos. Eles podem estimular o seu corpo a liberar neuropeptídios que fazem você sentir prazer, alegria e felicidade, ou o contrário, tristeza, depressão, dor e sofrimento. Os pensamentos são como ordens emanadas da alma e as células acatam e cumprem rigorosamente. Pensamentos geram emoções através desse processo bioquímico.

Respeite também a natureza de cada um. Deixe que cada um seja o que é. Respeitar o outro implica respeitar a sua vontade, as suas escolhas, o seu destino. Experimente soltar mais seus filhos e permitir que eles cresçam; assim não serão tão frágeis quando adultos. Eles precisam experimentar a dor, o sofrimento e as dificuldades para adquirir a têmpera que fortalecerá a sua personalidade. Eles têm alma!

Respeite e aceite também os seus pais e pare de culpá-los por todas as suas frustrações. Eles fizeram muito por você; só pelo fato de terem gerado um corpo que permite você estar aqui evoluindo para estados mais elevados de consciência já é o bastante. Perdoe os seus pais se eles não cumpriram a rigor com suas obrigações e não atenderam a todas as suas expectativas. Agradeça por eles terem aceito você como filho (a).

Relaxe mais e não leve as coisas tão a sério, nem mesmo a vida. A vida é leve, alegre, luminosa, nós é que nos sobrecarregamos de compromissos e obrigações que a vida nem sempre nos pede. Observe ao seu redor, você não vê um animal, uma planta, um rio chorando, se lamentando. Tudo segue uma ordem natural, como se nada estivesse acontecendo. Tudo funciona por si só. Assim é a vida que você está prendendo dentro de você. A vida é um movimento de algo que não conhecemos.

Se você tem boas experiências, compartilhe com os outros para que eles também despertem o seu sentido natural. Não carregue tanto conhecimento e informação, nem se preocupe tanto com isso. Confie mais na intuição, a inteligência natural. A mente não passa de um montão de informação e conhecimento adquiridos dos outros; muito pouco dela se forma com as nossas próprias experiências. Nós valorizamos demais o conhecimento em detrimento da inteligência. A inteligência é da natureza, o conhecimento é complementar; ajuda, mas não é criativo.

Mantenha o seu coração puro e seus olhos limpos. Enxergue tudo com a pureza da alma criança. A verdade é simplesmente aquilo que é; a vida é simplesmente aquilo que é. A realidade é o modo como vemos, sentimos e interpretamos a vida. A realidade é mutável, a vida é eterna.

E lembre-se que lá dentro, no fundo de seu ser, existe algo que é a causa de tudo, a luz que anima tudo - você pode chamar de self, ser essencial, espírito, Deus, Vida. São nomes diferentes para uma mesma energia essencial que é a Vida - Deus. Sim, Deus é parte desse projeto e está aí dentro de você. Já pensou nisso? Ou você pensa que a vida é outra coisa?

Luiz Antônio Trevizani

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