Atenção
aos Sentimentos
Dando
atenção aos nossos sentimentos, encontraremos as melhores
oportunidades para fazermos as nossas escolhas e melhorarmos a nossa
vida em todos os seus aspectos. Nossos sentimentos, sejam eles bons
ou ruins, são indicativos importantes de nossa sabedoria interior
que nos levam a fazermos as escolhas e a tomarmos as atitudes certas
sempre. Eles nos mostram a direção certa em nossas escolhas
que irão repercutir em nossa vida presente e futura. Nunca
devemos negar qualquer sentimento, mesmo que ele não nos agrade.
Quando negamos alguma coisa em nós, essa coisa tende a ganhar
força, a crescer e tornar-se nosso aliado ou um incomodo estorvo.
Devemos estar sempre conscientes e atentos aos nossos sentimentos
e escolher quais iremos potencializar e quais devemos apenas observar
como um sinal de que algo não está indo muito bem conosco.
Quando sentimos algo que não nos agrada, pode ser um indicativo
de que devemos mudar nossa forma de pensar ou de viver. Quando nossos
sentimentos são bons é sinal de que estamos em nosso
melhor momento fazendo aquilo que nos agrada e nos faz felizes, e
que nossas escolhas estão ancoradas em nossa sabedoria interior,
nossa luz.
Nós
nunca sabemos exatamente que tipo de escolhas estamos fazendo em nossa
vida, porque cada uma de nossas escolhas multiplica-se em muitas e
infinitas repercussões, como subprodutos que irão repercutir
de alguma maneira no presente ou no futuro. Somos prisioneiros de
inúmeras experiências do passado e não temos consciência
de quanto elas estão pesando em nossas escolhas no presente.
Muitas das nossas dificuldades enfrentadas no presente têm suas
raízes em oportunidades mal aproveitadas em outras experiências
do passado; muitos de nossos sucessos são a continuidade de
acontecimentos bem sucedidos e oportunidades bem conduzidas no passado.
Nossa memória é formada por todas as nossas experiências
em todos os tempos e dimensões por que passamos e não
pode ser ignorada quando nos vemos diante de novos desafios com os
quais temos dificuldade em lidar, ou mesmo quando o sucesso se faz
presente acontecendo naturalmente.
A
cada escolha que fazemos estamos dando um sinal para o Universo de
nossa direção e consciência de nós mesmos.
Quando temos uma direção clara e definida e caminhamos
sempre buscando o destino que ela nos indica, sabemos que estamos
evoluindo com consciência, mas quando mudamos a todo momento
nossas opiniões e camuflamos nossos sentimentos para agradar
aos outros, andamos em circulo sem chegar a lugar algum e nossa evolução
acontece num ritmo muito lento, quase ainda inconsciente, como nos
reinos anteriores ao que estamos evoluindo. A autopercepção
é a somatória de todas as nossas impressões internas
e externas. Através dessas sensações generalizadas,
entramos em contato com nós mesmos e nos conhecemos melhor.
Aprendemos
a ser racionais e nossa sociedade está bancada sobre o conhecimento
intelectual e a negação dos sentimentos. Daí
tanta dificuldade em nos aceitarmos e nos conhecermos a nós
mesmos. Não podemos nos autoconhecer por via teórica,
não somos produto de pensamentos e sim uma experiência
sensorial acontecendo através da vida. Nossas filosofias não
passam de especulações mentais sobre aquilo que não
conhecemos ou que nos negamos a sentir. Fugimos da verdade através
da construção de imaginárias elucidações
sobre a vida que mais tarde nos levam ao vazio interior pela falta
de atenção aos nossos sentimentos. Nossas crenças
inadequadas nos levaram a colocar uma linha divisória entre
corpo e alma. Ciência e religião se debateram durante
longos séculos numa estúpida guerra que resultou em
nossa total fragmentação. As nossas filosofias criaram
tantas teorias a respeito de tantas coisas, de nós mesmos e
até sobre Deus. A teologia não passa de uma falsa teorização
sobre aquilo que não temos capacidade intelectual para entender
e muito menos de compreender e que só podemos SENTIR em nosso
silêncio interior integrados em uma unidade harmoniosa corpo-alma.
À
medida que nos desenvolvemos cresce nosso amadurecimento, e nossa
sensibilidade cada vez mais aguçada nos levará certamente
ao encontro integrado de nós mesmos. Contudo, no estágio
atual passamos por experiências sensoriais dolorosas e confusas
que nos colocarão diante de nossa realidade interior. O sofrimento
causado por essa sensibilização se faz presente na vida
da maioria de nós como um indicativo de que precisamos dar
mais atenção aos nossos sentimentos e aprendermos a
lidar com nós mesmos, antes que esse sofrimento se intensificará
das mais variadas maneiras causando repercussões em todas as
áreas de nossa vida. O momento presente da humanidade passa
pela travessia da barreira que nos separou até agora da verdade.
Essa barreira, uma vez rompida, quebrará a seqüência
de erros que viemos cometendo até agora com relação
ao que acreditamos ser "a verdade". Essa "verdade",
absolutamente parcial, é fruto de conceitos e dogmas e não
condiz com a nossa natureza humano-divina.
Essa
conceitualização da vida nos levou a exigirmos demais
de nós mesmos e dos outros, cobrando atitudes inadequadas aos
interesses de cada um e exigindo perfeccionismo em quase tudo. Esperar
de nós e dos outros aquilo que não estamos capacitados
a corresponder é uma atitude de egoísmo e imposição
de limites aos nossos interesses particulares. Uma agressão
contra a nossa natureza livre e espontânea. Observar nossos
sentimentos é uma atitude de auto-respeito e de respeito para
com os outros também. Deixá-los fluir é como
permitir que um rio siga seu curso natural. Quando nossos sentimentos
fluem naturalmente, corpo e alma se harmonizam e se encaixam perfeitamente
num sincronismo saudável. Quando lutamos contra nossos sentimentos,
estamos represando a manifestação da vida e nosso corpo
sofre alterações em seu formato, até que um dia
começa a decompor-se, ainda vivo, consumido pelas bactérias
internas que se desenvolvem no terreno ácido de nossa energia
estagnada.
Comece
já a prestar mais atenção aos seus sentimentos
e a respeitar a sua natureza. Procure adequar o seu senso de direção
aos seus sentimentos e a mente será sua serva e não
mais sua diretora. A mente precisa de base para funcionar e a sua
base são as experiências da vida. Bons sentimentos nutridos
serão base para uma nova mente sadia e lúcida. Sentimentos
negados levam a uma mente doentia e depressiva.
Cuide
melhor de seus sentimentos a partir de agora!
Luiz Antônio
Trevizani
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