Nós Somos a Causa de Tudo

Parece exagero afirmar que somos a causa de tudo. Isso é porque nosso senso de orientação na vida é quase todo inconsciente. Quase nenhuma consciência temos de como os eventos acontecem em nossa vida. Se adoecemos, culpamos uma bactéria ou vírus e não consideramos que aquele micro-organismo só entrou, ou se desenvolveu dentro de nós, porque permitimos. Nossas defesas imunológicas dependem de um conjunto de fatores, dentre os quais do estado de alerta com nossos pensamentos e sentimentos; pouca consciência temos deles. Eles acontecem sem que os observemos corretamente, por isso atentamos mais para os efeitos e os desconsiderados como sendo eles os causadores.

A verdade é que, de um jeito ou de outro, somos nós que atraímos ou criamos todos os eventos em nossa vida. Basta prestar atenção no efeito para se entender a causa. Embora contrarie preceitos cientificos, esta é uma verdade incontestável. Observe, por exemplo, uma pessoa que fica gripada constantemente. Seus pensamentos estão confusos, não aceita pensamentos contrários aos seus ou não está sabendo lidar com alguma mudança acontecendo. Uma pessoa que tem alergias é profundamente irritável, ou está muito irritada com as pessoas que a cercam, com o ambiente em que vive ou trabalha, etc. Quando acontece um acidente, tendemos a culpar o outro ou o acaso. Mas se observarmos atentamente, antes do acidente acontecer já havia um movimento interno de energia e o acidente foi só uma explosão da raiva contida, de um desejo de destruição ou vingança, ou de algo relacionado que já estava lá dentro e atraiu os fatores externos para materializar o acidente. Assim, podemos analisar caso a caso, sempre observando a partir dos efeitos e estudando as possíveis causas relacionadas.

Muitas vezes não encontramos a causa, por mais que nos esforçamos, pelo menos até onde vai nossa lembrança. Temos que considerar que não somos produto de uma única vida. Nossa evolução através de muitas vidas é responsável por um imenso repertório de fatos e acontecimentos registrados em nosso inconsciente. Pouco sabemos a respeito de nosso passado e de nossos antepassados, exceto nos casos em que a regressão é permitida para o nosso aprendizado e compreensão das relações familiares, principalmente.

E quando crianças sofrem de doenças graves ou acidentes fatais? Dentro de nossa cultura imediatista vemos como injustiça, mas na realidade não é isso. Sabemos que se tratando da jornada espiritual nenhum ser é inocente, portanto, aquela criança é um espírito colhendo os frutos de sementes plantadas em outra vida e, por escolha ou determinação, submete-se a essas experiências como forma de purificar prematuramente energias nocivas do seu passado. Sabemos que diante das leis cósmicas não há punição, e sim resposta e cumprimento da lei, ou seja, livre escolha nas atitudes com responsabilidade pelas consequências. Pode ser, também, a somatização das emoções negativas da mãe que a criança absorve.

Quanto mais conscientes nos tornamos, melhor percebemos que somos nós os verdadeiros arquitetos de nossa existência. Quanto mais conscientes, mais fácil perceber a maneira como movimentamos as energias que dão forma aos eventos em nossa vida. E aí vai uma dica importante para quem deseja se tornar mais consciente: meditação. Somente pela meditação é possível sair da mente nebulosa e alcançar a lucidez da consciência. Estar consciente e perceber a consciência em nós, em nosso corpo, nossos pensamentos, nossas emoções e sentimentos e no mundo lá fora, assim será mais fácil dominar as forças externas que atraímos e que atuam sobre nós, e fazer as melhores escolhas. A vida é uma escola e nos oferece todas as possibilidades de aprendizado. Aprende quem quiser, quem não quer sofre por teimosia e apego a crenças limitadoras. Há duas possibilidades básicas de aprender: uma pela inteligência, pelo amor; outra pela dor, pelo sofrimento.

Luiz Antônio Trevizani

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