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O
Ser Humano
Ao primeiro presente que você lhe faz, ele se ajoelha;
ao segundo, beija-lhe a mão; ao terceiro, ele se inclina;
ao quarto, contenta-se com um sinal de cabeça; ao
quinto, torna-se familiar; ao sexto, ele o insulta; e ao sétimo,
ele o põe na justiça porque você não
lhe deu o suficiente.
O
sistema de Gurdjieff parte do pressuposto de que os homens
estão dormindo, são máquinas ambulantes
que não sabem o que fazem. Isto porque o que geralmente
achamos que é o "eu" é, na realidade,
um conjunto de "eus" que povoam nossa mente, por
isso temos que controlá-los através dos "eus-de-trabalho"
e assim evitar cair na imaginação que, segundo
Gurdjieff, nos afasta da presença.
O homem "desperto", aquele que tem consciência
de si, é raro. Muitos pensam que têm consciência,
porém sequer imaginam do que isso se trata. Sempre
que indagado sobre a reencarnação, Gurdjieff
desviava a conversa para outro foco. Um aforisma que sempre
repetia era de que a "alma é um luxo". Em
outras palavras, temos que conquistar níveis superiores
do ser através de uma profunda busca pelo autoconhecimento
e de uma contínua busca pelo equilíbrio das
energias positiva e negativa da própria natureza. O
homem dotado de consciência ou vontade é muito
raro.
Gurdjieff costumava lançar mão nestas ocasiões
de uma alegoria oriental: a alegoria da carruagem. Nesta representação
simbólica a carruagem é o corpo físico,
os cavalos são os sentimentos, o cocheiro é
a mente, e dentro da carruagem está o verdadeiro habitante,
que é o EU Interior. No indivíduo comum estas
partes estão dissociadas e muitas vezes o cocheiro
não consegue empregar muito bem os arreios, conduzindo
os cavalos. Além disto, o passageiro dentro da carruagem
não consegue dar ordens ao cocheiro da direção
a ser tomada, e deste modo a carruagem segue parcialmente
descontrolada para um rumo que ninguém previu, terminando
sempre, é claro, na morte.
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