Carl Gustav Jung


“Todos os maiores e mais importantes problemas da vida são fundamentalmente insolúveis… eles nunca podem ser solucionados, somente superados. Esta ’superação’ provou em investigações posteriores que requer um novo nível de consciência. Algum tipo de interesse maior ou mais amplo apareceu no horizonte da pessoa, e por esse ampliamento da perspectiva por parte do indivíduo o problema insolúvel perde sua urgência. Ele não foi solucionado logicamente em seus próprios termos, mas desvaneceu quando confrontado com um mais forte e novo anseio da vida.” - Carl Gustav Jung

O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) passou muito tempo na obscuridade. No Brasil, sua obra tem pouca repercussão nas universidades, se comparado às obras de Freud e Lacan, por exemplo. Além disso, seu nome costuma aparecer associado a polêmicas.

Jung acreditava que toda teoria é produto da equação pessoal de seu criador; portanto, sabia dos limites de seus escritos. Ele afirmava que tanto Freud quanto Alfred Adler (1870-1937) haviam descrito fatos que correspondiam ao dinamismo psíquico de muitas pessoas. Da mesma maneira, Jung acreditava que existem aqueles que possuem outra psicologia, similar à sua. Em suas palavras: "Chego a considerar minha contribuição como minha própria confissão subjetiva. É a minha psicologia que está nisso, meu preconceito que me leva a ver os fatos da minha própria maneira. Mas espero que Freud e Adler façam o mesmo, e confessem que suas idéias representam pontos de vista subjetivos. Desde que admitamos nosso preconceito estaremos realmente contribuindo para uma psicologia objetiva".

Jung afirmou que os fenômenos psíquicos sempre tiveram a atenção do homem, e entendia suas idéias não como um novo início na compreensão do inconsciente, mas sim como uma continuidade em relação ao trabalho realizado por muitas gerações, embora ele utilizasse o pensamento científico. Essa perspectiva faz com que suas idéias sejam freqüentemente confundidas com idéias gnósticas ou alquímicas, as quais ele cita em seus trabalhos, como se fosse um continuador e não um estudioso delas. Some-se a isso a falta de linearidade em seu pensamento, que se reflete em seus escritos, o que faz com que aqueles que procuram um sistema e uma ordem em seus textos fiquem um tanto perdidos4. Afirma "sempre considerar as coisas novamente e de outro ângulo. Meu pensamento é, por assim dizer, circular. Esse é o método que combina comigo. É, de certo modo, um novo tipo de reflexão peripatética". Esse estilo reflete o propósito, em sua obra, de valorizar o inconsciente - o que não significa de forma nenhuma desvalorizar a consciência. O diálogo entre as duas instâncias é o fundamental.