A Humanização do Ser Humano

O pensamento “digitaliza” a vida e modela as formas criando as realidades que escolhemos viver. E a vida responde organizando as experiências que a consciência escolhe em cada momento propiciando as condições favoráveis aos aprendizados. O reflexo desperta a emoção. A emoção dá o colorido ao pensamento e plasma a ideia. A ideia determina a atitude, que se expressa nas palavras e comanda as ações gerando o comportamento. E o comportamento determina os resultados.

No torvelinho das ideias forma-se a imagem mental, a forma-pensamento. A imaginação coloca a imagem mental em movimento antecipando, na mente, a ação que se materializa em seguida como comportamento – o corpo em ação/movimento.

E o comportamento é o reflexo da capacidade de resposta que uma consciência está apta para dar aos estímulos que recebe, podendo ser ele consciente, ponderado, educado e sofisticado, ou inconsciente, instintivo, reativo, grotesco e condicionado pelos reflexos automáticos repetidos pelos hábitos adquiridos. Estamos falando do comportamento humano.

Apesar de todo desenvolvimento que o intelecto alcançou nos últimos séculos, e mais especialmente depois do século vinte, e de todos os conhecimentos acumulados por milhares de milênios de experiências evolutivas, este ser que se encontra na condição de humano ainda responde a muitos dos estímulos que recebe com as mesmas emoções condicionadas do animal, que parece ter sido no passado.

Assim é que nós encontramos nas avenidas mais sofisticadas das maiores cidades do mundo, seres “humanos” vestidos à moda do século vinte e um, e que reagem aos estímulos com as emoções “enferrujadas” de dois mil anos passados.

Seus comportamentos são os reflexos truculentos de uma consciência em nível primata que ainda não desenvolveu todas as habilidades de comando do complexo sistema emocional. Carecem do senso da razão e do bom senso.

O resultado disso está estampado na face do planeta no formato do mundo que criamos. Um mundo caótico, mas que se mantém organizado pelas leis da evolução sustentando a vida e impulsionando, muito ainda pela dor, a evolução espiritual.

Desse caos nós extraímos, bem ou mal, o substrato que sustenta e impulsiona a vida, e encontramos o ambiente com as condições cada vez mais complexas que a consciência humana precisa lidar exigindo cada vez mais esforço. E do máximo esforço resulta uma expansão da consciência, cada vez mais acelerado.

O ser humano pensa e cria, e o ambiente então reage aos comportamentos humanos, e os humanos mudam sem perceber e vão evoluindo e expandindo a consciência, mesmo que o estar consciente disso seja mínimo e eles percebam poucas coisas acontecendo. Uma evolução consciente então se torna possível.

Os Quatro Níveis Básicos da Consciência Humana

No universo da alma humana desperta a consciência da sua humanização.

Os quatro níveis básicos da consciência humana refletem o patamar evolutivo alcançado até aqui pela humanidade atual, considerando as variáveis e percentuais distributivos. 

Imerso ainda no que podemos chamar de “o inferno da vida”, composto pelos três níveis primeiros da consciência humana, mas já despertando para o quarto nível, o da humanização, o indivíduo oscila entre comportamentos humanizados, com emoções amadurecidas, e comportamentos animalizados com emoções imaturas. Porque todo ser humano ainda é dominado em grande parte pelo “bicho”.

O “bicho” é o sistema orgânico funcional, instintivo, de conservação, defesa, ação e reação, composto pelo corpo e pelas emoções. A inteligência é instintiva, e não está no eu consciente.

Ele é mais forte e poderoso tanto quanto lhe é permitido comandar os mecanismos reativos, inconscientes, mas torna-se ainda mais forte e poderoso, quando o comando emana do espírito, da consciência desperta, orientando sua força para as ações construtivas.

Educando o bicho, ele se torna uma força de ação positiva e construtiva; uma capacidade realizadora do pensamento elaborado na ideia.

O pensamento consciente passa então a criar novas realidades mais felizes. 
 
Primeiro Nível – A Consciência Instintiva

Sob o domínio da consciência instintiva, o indivíduo atual comporta-se pouco diferente do selvagem primata. Suas necessidades básicas são supridas à força de luta e não são mais que o alimento, o abrigo e a reprodução. Grotescamente, casa, comida e sexo.

A sua sensibilidade é mínima, não possui desenvolvido ainda o senso estético; portanto, tudo é feito à maneira mais grotesca e brutal. Aqui as emoções são rudimentares. Basicamente despertadas pelo medo.

Na atualidade, são poucos que se comportam predominantemente neste nível da consciência.

Porém, em determinado momento, muitos ainda recuperam de suas memórias algum resquício de seus comportamentos passados e cometem algum ato por ímpeto desse nível da consciência.

São aquelas reações instintivas que ocorrem, impulsivamente, naqueles momentos de total invigilância sobre o aparato de defesa do “bicho”. E são, geralmente, reações ao medo. 

Uma bofetada no rosto de outra pessoa pode ser uma reação impulsiva do “bicho”, por exemplo, como resposta instintiva a um estímulo físico despertado por um toque inesperado no seu corpo – reação ao medo.

São reminiscências acordadas do passado, mostrando que ainda existem arestas mal aparadas solicitando atenção. Depois vem o arrependimento, fruto da reflexão feita quando a consciência recupera seu nível superior.
 
Segundo Nível – A Consciência Emocional

Aqui o psiquismo já está melhor elaborado e as paixões dominam as emoções. Entretanto, o comportamento ainda é reflexo das emoções imaturas. Ciúme, inveja, raiva, cupidez, orgulho e perversidade são mais comuns neste nível da consciência.

O medo também está mais presente e melhor elaborado neste nível da consciência, porque ele é um mecanismo estruturado em aprendizados. Primitivamente, o aprendizado do medo se dá pelas constantes ameaças reais à vida, no animal por exemplo, que tem sua sobrevivência constantemente ameaçada.

O medo instintivo é o mecanismo de proteção da integridade, que emite aviso, pelo sistema nervoso, diante do perigo iminente preparando o corpo para reagir e se defender. Mas ainda não é um medo desenvolvido.

Porém, quando a imaginação vaga pelas emoções despertadas por este mecanismo de proteção da integridade, o medo instintivo, o pensamento logo assume os seus coloridos e desanda em drama ou tragédia, imaginários. Então começa o medo propriamente dito.

O medo é uma elaboração mental supostamente real sobre uma situação supostamente irreal.

Nesse nível da consciência humana, o comportamento instintivo de luta pela sobrevivência agora passa a ser elaborado por interesses e paixões. A posse sobre o outro e o controle do comportamento alheio faz parte desse jogo.

Mas não são somente os aspectos emocionais ruins que despertam neste nível da consciência humana. Surgem também as relações sociais mais bem elaboradas e o senso de proteção familiar e social.

Os sentimentos ainda se confundem com as emoções, e o amor também é só uma relação emocional.

Eventualmente a maioria de nós ainda se comporta nesse nível da consciência.
 
Terceiro Nível – A Consciência Intelectual

Ao nível intelectual da consciência os sistemas já são mais bem elaborados, e o ego torna-se o principal editor dos conteúdos a serem empregados nos argumentos da satisfação de si próprio.  

Aqui a astúcia pode ser encontrada andando solta pelos meandros dos negócios e das relações humanas em variada manifestação.

Há relativa decência e sentimento de responsabilidade, mas ainda com prevalência nos interesses pessoais em primeiro lugar, e o ímpeto de apor o racional sobre a emoção pode levar a manifestar certo grau de frieza.

Muito embora a razão também surja ponderando o senso da responsabilidade.

A razão é argumentativa, no entanto, e carece de bom senso, arregimentando argumentos racionais em benefício próprio, ou na defesa do interesse grupal.

Na maior parte do tempo o pensamento está focado em como levar vantagem sobre o interlocutor. Toda astúcia do ego agora se faz presente nas relações humanas e nos negócios.

O pensamento digitaliza as formas do desejo conforme é o interesse próprio, em primeiro lugar, para só depois compartilhar o que sobra; se sobrar!

E o ego estabelece fronteiras, dentro das quais só ficam aqueles que atendem às demandas interesseiras em jogo. E aqueles que não interessam mais são descartados, sem cerimônia, julgados e expulsos para fora das fronteiras do ego.

As relações humanas acontecem ao nível da personalidade; são superficiais, sociais, estabelecidas pelos interesses, sempre visando obter alguma vantagem da relação.

O comportamento predominante nesse nível da consciência humana é o mais egocêntrico, egoísta e egotista dentre todos os demais níveis.
 
Quarto Nível – A Consciência Espiritual

A bem da verdade aqui desperta a consciência em seu nível espiritual, mas não acontece ainda a subida ao patamar evolutivo espiritual. Isso ocorre no nível seguinte, que não é objeto de nosso interesse analisar aqui e agora.

Cabe aqui mais um esclarecimento – este nível da consciência espiritual, dentro dos patamares evolutivos diversos da humanidade atual, é muito abrangente e também muito restritivo; depende do entendimento de cada um definir o que é consciência espiritual.

Doravante será a consciência espiritual predominante, e determinante do comportamento humano.

São os que participam dessa faixa mais apurada de psiquismos, uma espécie de elite evolutiva do planeta.

Nesse patamar evolutivo, por mais que a inteligência já esteja refinada para elaborar e manobrar as circunstâncias externas e pessoais em favorecimento próprio, o indivíduo prefere pautar sua conduta por princípios éticos e altruístas. O verbo aqui é conjugado na terceira pessoa – nós.

Explicando melhor, a consciência espiritual, a partir do quarto nível da consciência humana, desperta e passa a ser o paradigma que orientará o comportamento e as relações humanas no mundo doravante.

Nesse plano de consciência espiritual apõe-se a razão acima do intelecto, da emoção e do desejo, e o ego desce ao seu posto de “servente”, passando por um processo educativo que o transformará pela transcendência de seus aspectos restritivos.

As fronteiras do ego agora são liberadas e todos são convidados a compartilhar suas experiências e a colaborar com seus conhecimentos para a humanização do ser humano e do mundo.

As relações humanas acontecem ao nível mais profundo do ser, e o sentimento é a razão de se estabelecer os relacionamentos.

Há respeito mútuo, colaboração, compreensão, compartilhamento, e o amor desperta em seu verdadeiro sentido, já não impondo mais condições nem escolhas – desperta a incondicionalidade. A emoção amadurece e se distingue do sentimento.

O comportamento se estabelece a partir da relação você e eu e todos nós. Surge então mais vigorosa a consciência ética. Com o senso ético se irradiando da alma, o pensamento cria realidades mais estéticas, tanto em nível pessoal quanto de mundo.

Pois, a ética é o senso de embelezamento das relações humanas. E toda beleza é manifestação do amor em sua fragrância mais esplendorosa.

Assim forma-se a base efetiva da expansão da consciência humana. O autoconhecimento começa aqui; seus contornos começam a ser delineados com mais clareza a esse nível da consciência humana.

O ser humano torna-se cada vez mais consciente de si e elabora processos mentais cada vez mais complexos, sofisticados e éticos. Porque agora ele já está receptivo e pronto para o seu autoconhecimento.

Consciente de suas responsabilidades sobre a sua evolução e a de todos, o indivíduo agora pensa ligando cérebro e coração, numa via de razão e bom senso, de senso ético e estético, ambientando as suas ações e relações na correta sustentabilidade, na fraternidade universal, no amor incondicional.

Doravante, a consciência espiritual florescida na alma espiritual e no coração humano guiará a subida do espírito, de patamar em patamar, pelo amor, até alcançar a sua plenitude na iluminação total da consciência.
 
O Mundo e o Paradigma Materialista

Os maiores problemas humanos, na atualidade e desde que o ego se tornou o “senhor” da consciência humana, achando-se o indivíduo autossuficiente, estão enraizados na sua crença no materialismo.

Orgulho, vaidade e autossuficiência são partes integrantes do conjunto das atitudes e comportamentos levando ao egoísmo, ao egocentrismo e ao egotismo, frutos gerados pela crença que tudo começa e acaba aqui mesmo.

Na realidade do mundo orientado pelo paradigma materialista é preciso lutar, extrair dos recursos naturais do planeta as riquezas para acumular; competir para tomar posse, das riquezas e dos indivíduos.

É um sistema de acúmulo de um lado e carência nos outros. Na via da competição leva vantagem aquele que possui mais recursos intelectuais, que é mais astuto ou competente.

Não que a competição seja de todo ruim, mas quando ela extrapola o nível das competências para se tornar disputa por riquezas e poder, então sim ela é destrutiva.

O sistema extrativista explorador não forma base alguma para a sustentabilidade, sendo esta uma falácia enquanto o paradigma materialista predominar no mundo.

Não há como haver sustentabilidade enquanto houver desequilíbrios, enquanto o consumo for a pauta diária do ser humano e seus negócios.

O lado mais triste dessa realidade é o indivíduo ser classificado e nominado “consumidor”, pelas mídias diversas. Veja a que ponto chegamos, em que a dignidade é ultrajada no pior grau de degradação possível. E o ser mais digno e mais evoluído do planeta é considerado, pelos sistemas do mundo materialista, simplesmente um tubo de consumo.

A perversidade desse modelo de mundo chegou ao seu auge e está levando o ser humano às raias da loucura. E não é à toa que esse “consumidor”, esse “tubo de consumo”, engole tantos remédios também. Principalmente os antidepressivos e ansiolíticos, além de outros tantos, com tarja preta ou não.

A psiquiatria e o segmento farmacêutico associado a ela nunca faturaram tanto como na atualidade.

Será isso um sintoma suficiente para que nós despertemos dessa loucura e comecemos a mudança desse paradigma para um que seja mais humanizado?
 
O Mundo e o Paradigma Espiritualista

Um mundo de paz e prosperidade sempre esteve presente nos sonhos e nas expectativas da humanidade.

Então, por que não criamos logo esse mundo?

A resposta é simples – porque ainda somos egoístas demais para abrir mão das “coisas” que acumulamos.

O novo mundo, baseado no paradigma espiritualista, não será muito diferente do que se orienta pelo materialismo. O paradigma espiritualista não implica na implantação de um regime ideológico e econômico socialista. Aliás, se algo já demonstrou ser incapaz de resolver os problemas humanos, e do mundo, são os regimes ideológicos e econômicos socialista e comunista.

Nós não precisamos de novas ideologias, nem de novas religiões. O que nós precisamos fazer, com urgência, é reformular nossos conceitos e crenças; o nosso pensamento. O pensamento orientado pelo sentimento.

Trata-se de uma mudança de mentalidade. Nós vamos continuar precisando de alimentos, transporte, vestuário, televisores, geladeiras, computadores, celulares e todas essas coisas que já temos e muito mais de novas tecnologias. O que muda é a maneira como vamos lidar com a economia e com as nossas relações humanas.

A base sobre a qual se assenta o paradigma espiritualista é a do compartilhamento e da colaboração – a humanização das relações humanas.

Compartilhar o que temos em conhecimentos, para gerar progresso e riqueza abundante e suficiente para todos. Isso não implica em nenhuma forma de socialismo ou de nivelamento em igualdade em posses. As hierarquias e os diferentes níveis de enriquecimento vão continuar existindo, pois eles são os frutos dos méritos de cada um pela aplicação dos seus talentos. Só que não mais deixando para trás resíduos de extrema pobreza como na atualidade.

A sustentabilidade, badalada, mas inviável dentro do paradigma materialista, agora sim pode ser efetivada em todas formas de produção e relações humanas, como uma consequência natural do paradigma espiritualista.
 
Consciência, Autoconhecimento e Espiritualidade

Nós podemos, por fim, conceituar de uma maneira bem simples o que é consciência.

Nos termos mais simples possíveis, podemos dizer que ela é a capacidade de dar resposta a estímulos, por parte de um sistema, que tanto pode ser um sistema nervoso evoluído quanto outro qualquer, por mais rudimentar que seja, conforme for o seu nível de desenvolvimento e expansão.

Antes, eu afirmei que o comportamento humano tem relação com os níveis da consciência. Pois bem, é aqui que eu quero chegar para concluir dizendo que, cada ser humano oscila entre os vários níveis de consciência, não somente os quatro primeiros descritos antes, mas sempre, e em cada ocasião, responde aos estímulos que recebe com predominância de um ou de outro nível. Podendo, eventualmente, ascender aos níveis superiores que ainda são latentes.

A auto-observação traz autoconsciência e percepção das oscilações da consciência, entre uma ocasião e outra. E a tomada de consciência é a tomada de posse de si, e o pensamento é reconhecido no seu verdadeiro significado.

A fase seguinte é a do autoconhecimento. A tomada de consciência, de posse de si, é o primeiro passo, que abre caminho para a continuidade do processo do autoconhecimento.

Tornar-se consciente de si pode não ser o bastante para se conhecer a si. Isto pode ser só uma primeira auto percepção, que não leva diretamente ao autoconhecimento. Este é um processo mais longo, demorado e contínuo. Porque, quanto mais se avança na exploração do campo da consciência, mais descobertas são feitas acerca de quem somos, e do que somos. Por enquanto, o final disso nos é “infinito”, por mais indevida e esdrúxula que esta afirmação pareça ser, pois nós apenas suponhamos o final da história, dentro do espectro mental possível ao patamar evolutivo em que nos encontramos, porém nós não sabemos efetivamente.

A verdade se revela em doses “homeopáticas”; ela se descortina na medida da nossa evolução. E aqui é preciso entender que, a evolução é um processo que compreende o desenvolvimento concomitante do aparelho nervoso, da inteligência e do intelecto, propiciando as condições à expansão de consciência.

A verdade se revela, em seus meandros mais complexos, na medida em que a aparelhagem nervosa, inteligente e intelectual se torna capacitada para processá-la e compreendê-la.

O autoconhecimento leva ao reconhecimento de que somos espírito eterno. E ao nos perceber assim, portais mais amplos da consciência se abrem, e isso nunca acaba, ou pelo menos não tão cedo. Nós não temos a menor condição de espreitar ainda todo esse campo de consciência possível.

E no começo, pelo menos dessa etapa evolutiva em que desperta o interesse pelo autoconhecimento, tudo passa primeiro pela humanização do ser humano. Possuir forma humana não significa estar humanizado. Somente quando o comportamento também for humanizado, então sim o ser humano alcançará plenamente o nível da consciência espiritual. Isto é, o patamar evolutivo da espiritualidade.

Autoconhecimento é, portanto, perceber-se espírito eterno.

Frequentando as escolas dos mundos diversos em diferentes planos e dimensões, se instruindo e evoluindo com as experiências que enriquecem a sua alma com valores éticos cada vez mais sofisticados, o espírito eterno caminha para a libertação definitiva de seus corpos mais densos.

O estado de “espírito puro” pode ser o princípio e o final da jornada.

Como nos expõe Kardec, em O Livro dos Espíritos, na pergunta 76 – Que definição se pode dar dos Espíritos? E a resposta vem na seguinte definição: – “Pode-se dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da Criação. Povoam o Universo fora do mundo material”. Todos os Espíritos são criados “simples e ignorantes” (questão 115 do mesmo livro), porém, “... não sabendo de onde vêm, é preciso que o livre-arbítrio tenha seu curso. Progridem mais ou menos rapidamente, em inteligência quanto em moralidade” (questão 127 do mesmo livro).

Do brucutu ao espírito mais iluminado que pisou o solo terreno, a diversidade apenas reflete que somos todos aprendizes, uns com os outros; os mais avançados sendo os responsáveis pelos que estão em atraso.

Por isso, enquanto houver condenação aos mais fracos, aos menos educados e menos sensibilizados, por parte daquele que se julga superior e mais evoluído, ainda haverá oportunidade para que ele desça alguns degraus e viva nova experiência entre aqueles, até que se humanize por completo.

Espiritualidade é, no plano do nosso mundo, a experiência da humanização do espírito. Depois, em outras dimensões e mundos, haverá outros aprendizados esperando oportunidade.

Finalizando o ciclo deste raciocínio, nada mais adequado que recorrer a Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, no livro “Pensamento e Vida”, onde, já no primeiro capítulo, “O Espelho da Vida”, ele nos adverte que, “A mente é o espelho da vida em toda parte”.  E mais adiante prossegue: “Definindo-a por espelho da vida, reconhecemos que o coração lhe é a face e que o cérebro é o centro de suas ondulações, gerando a força do pensamento que tudo move, criando e transformando, destruindo e refazendo para acrisolar e sublimar. Em todos os domínios do Universo vibra, pois, a influência recíproca. Tudo se desloca e renova sob os princípios de interdependência e repercussão” “... Ninguém permanece fora do movimento de permuta incessante.

Nada mais é necessário dizer, apenas meditar e refletir. 



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