O Soberano Medo

A mais pequena mentira pode se tornar uma grande "verdade" e criar imensa catástrofe se ela se propagar para além de certo número de crentes. Assim formam-se os sistemas organizados de controle e manipulação da consciência humana, que fomentam o medo, a fé emocional, e criam conceitos que são aceitos como modelos de comportamento e verdade absoluta.

Todos os sistemas organizados que agregam multidões em torno de uma doutrina, seja ela religiosa, política ou econômica, fomentam o medo para desestabilizar emocionalmente o ser humano e então domar o seu centro da vontade, enfraquecido pelo medo, e conduzi-lo anonimamente como massa de manobra para a realização dos objetivos dessas organizações. Quem consegue afrontar uma mentira repetida por mais de um milhão de vezes ou mais de mil anos? Só quem se torna consciente de si consegue. É preciso mais que destemor para sair dessa matrix – é preciso coragem e conhecimento.

O senso comum é conformismo adicionado de ignorância e medo de encarar a si mesmo como um Ser potencialmente divino, Espírito eterno temporariamente escalando a Terra em evolução. É bem mais fácil esconder a cabeça num buraco e aceitar as mentiras como sendo a “verdade” salvadora, do que erguer-se acima do senso comum e encarar a si mesmo, com senso crítico e  razão. A pretensa segurança que os sistemas organizados oferecem é falsa. O que eles fazem é tão somente oferecer um futuro feliz em troca da alma humana, através de um modelo de sociedade engendrado em doutrinas que acorrentam a alma humana à ignorância. Quanto vale essa alma humana, para ser tão disputada? Aí está a força espiritual do ser humano, capaz de libertá-lo de qualquer escravidão, e para dominá-lo é necessário anular essa força primeiro.

Medo é da mente e não passa de imaginação e forte emoção. Não é necessário luta para defender-se do medo, basta observar a emoção e mudar a imaginação. A consciência que se faz presente sobre o que quer que esteja acontecendo, traz claridade e percepção que permite dominar a mente e conduzir os pensamentos e dizimar as imagens mentais que aturdem as emoções. Do medo à coragem é apenas uma mudança de foco, de atitude – sai da mente e vá para o coração.

Medita e vigia os pensamentos, assim você se torna consciente. Meditar é silenciar a turbulência mental através de alguma técnica inicial. Não há segredos na meditação, desde que ela seja encarada tão somente como o meio de se tornar consciente. Basta sentar-se – em posição de lótus para quem consegue, ou simplesmente numa cadeira de encosto reto – e permanecer ali observando conscientemente tudo o que se passa. Comece observando o corpo por alguns dias, sem se preocupar com os pensamentos. Não lute contra eles. Apenas se concentre na respiração, mas sem força-la. Se você conseguir acalmar o corpo em alguns dias de prática terá dado meio passo na direção de acalmar a mente. Depois que o corpo se acostumou comece a observar os pensamentos que transitam por sua mente, sem se envolver com nenhum deles. Apenas observe como se fossem bolhas de sabão passando por sobre a sua cabeça. Após alguns dias de prática, perceberá frestas entre os pensamentos, e por essas frestas começa surgir a consciência. Com mais alguns dias de prática a consciência vai se expandindo e a percepção se torna instantânea. É o estado alerta – vigia dos pensamentos. O que você precisa entender no entanto, é que “alguns dias” é relativo e pode ser bem mais que alguns anos se o apego for demasiado.

O medo desaparece quando a consciência se ilumina, e a alma ressurge forte. Repita mentalmente: “Eu estou na minha alma com a minha força espiritual; tudo posso na força do espírito”. Toda vez que o medo surgir, busque essa força na sua alma repetindo esta frase mentalmente, ou até mesmo em voz alta. Não permita que os pensamentos propaguem imagens mentais negativas. Elas se tornam reais com o tempo e a persistência, atraindo eventos de acordo com a sua natureza. E não se deixe dominar por ameaças, por notícias, por catequeses, por que quer que seja – Deus não delegou poder a nenhum ser humano sobre os seus semelhantes.  Todos nós somos potencialmente qualificados pela mesma origem, e não existe nada que possa adulterar as leis eternas.

Luiz Antônio Trevizani – 18/03/2012


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