Nossas Escolhas Traçam os Caminhos Que Percorremos

Cada escolha que fazemos entra na conta daquilo que compreendemos como resposta da vida. Nada fica sem retorno, e nada poderia ser diferente, pois, caso contrário, não se cumpririam os desígnios do progresso traçado para a humanidade. Uma escolha para o bem resulta em bem; uma escolha para o mal resulta em mal. Parece simples, mas há uma complexidade emaranhada nessa lei que conhecemos como lei de causa e efeito.

Nosso julgamento quase sempre é pautado pelas diretrizes morais que aprendemos sobre o que é certo e o que é errado, mas pouco refletimos sobre o que estamos aprendendo com isso. Discernir é o ato de ver entre os opostos. Esta não é uma definição nem um conceito absoluto de discernimento; no entanto, para os propósitos de nossos estudos e reflexões sobre uma visão da vida pela perspectiva de nossas escolhas, ela pode ser mais útil do que uma teoria muito complexa. Julgar, aqui, não é sentenciar com o bordão do certo ou do errado, absolvendo ou condenando. Nesta jornada, o julgamento não se insere no âmbito da justiça dos tribunais, mas no ato de observar, comparar, discernir e extrair o aprendizado que a vida nos propõe.

Todos querem o progresso, mas muitos, em algum momento, por revolta ou por força de circunstâncias ainda não compreendidas, trabalham contra o progresso da humanidade e contra o próprio progresso. As divisões que se observam na sociedade, nas nações e, praticamente, em todo o mundo — dentro das religiões, na política e nas diversas instituições que deveriam constituir as estruturas nas quais a coletividade vivencia e põe à prova cada experiência individual — foram fomentadas por organismos e indivíduos que se aproveitam da fragilidade moral do indivíduo amedrontado para sugar suas energias e acumular cada vez mais poder, posses e prestígio.

Nesse sentido, a idolatria prospera como uma onda avassaladora, que absorve e dissolve o sentido da individuação, transformando a consciência de ser si mesmo em uma consciência dominada pela comoção, pela irracionalidade, pelo destempero e por convicções assimiladas sem julgamento nem discernimento, nas quais não há o mínimo espaço para a razão e a lucidez.

Nenhum ser humano é digno de ser idolatrado, por mais poderoso, benéfico ou iluminado que seja. Toda idolatria ergue um pedestal para a soberba, no qual os ídolos se colocam acima dos demais e sobre o qual se projetam aqueles que se veem como inferiores. Todo ser humano é capaz de se autoliderar, e aquele que já aprendeu, pouco ou muito, e converge para a sabedoria jamais se colocará como líder de massas tomadas pela comoção, mas como exemplo de conduta.

Assim foi Jesus, que, segundo a perspectiva aqui apresentada, não liderou massas pela comoção nem fundou uma organização religiosa ou política, mas instituiu um modelo de religiosidade fundamentado no amor, no coração da vida. Outros exemplos semelhantes podem ser encontrados ao longo das eras, em diferentes partes do planeta. Nenhum deles ensinou a viver em permanente luta contra supostos adversários; todos apontaram um caminho pelo meio, de união e unificação dos opostos, de complementação e iluminação pelo amor.

A verdadeira liderança não exige a renúncia à própria consciência, mas inspira seu desenvolvimento. Aquele que oferece um exemplo de sabedoria não precisa exigir submissão, pois sua conduta, por si mesma, convida à reflexão. Quando, ao contrário, entregamos a outro o poder de pensar, discernir e escolher por nós, abrimos mão de uma parte essencial de nossa individuação, mas não nos eximinos de nossa responsabilidade diante da vida.

O ser humano vive não somente dividido como corpo social, mas também dividido em si mesmo, com dificuldade para fazer suas escolhas conscientemente, pois já não consegue discernir entre aquilo que o favorece e contribui para o progresso seu e de todos e aquilo que serve, sobretudo, à destruição daqueles que discordam de suas ideias. Tornou-se o centro de si mesmo, um ser egocêntrico que se coloca à frente dos demais e põe os próprios interesses egoicos acima dos deveres perante a sociedade.

Essa divisão expõe mais do que um abismo entre um lado e outro, mais do que a ideia de um lado caminhando no bem e o outro no mal, e mais do que simples conceitos de certo e errado. Ela é o espelho que reflete nossas contradições mais íntimas. Há, naqueles que escolheram o caminho do bem, sombras que ainda não foram trazidas à consciência e que são reveladas por aqueles que escolheram o outro lado, especialmente quando estes se julgam superiores ou melhores do que os que estão do lado oposto. E há, naqueles que escolheram o caminho do mal, sombras reveladoras de um bem que insistem em não reconhecer em si mesmos. Por isso, lutam para destroçar o outro lado, que já emite alguma luz.

Essa luz que começa a se projetar para fora, iluminando a aura, é a essência que todos carregamos no íntimo da consciência. É a luz da consciência que, para a maioria, continua encoberta pelos véus do ego e da ignorância. Se todos possuímos essa mesma essência, não há razão para classificar uns como bons e outros como maus. Há, sim, aqueles que despertaram e estão aprendendo e aqueles que ainda não despertaram e se encontram mais atrasados em seus aprendizados, ou mesmo aqueles que, por algum tempo, se recusam a aprender, mas que, ainda assim, despertarão e aprenderão, mais cedo ou mais tarde.

Cada indivíduo é responsável pelas escolhas que faz, em qualquer ocasião, circunstância ou momento, não somente por seus efeitos sobre si mesmo, mas também por suas consequências para a coletividade. Essa responsabilidade se torna, portanto, ainda maior quando o indivíduo atua movido pela força emotiva canalizada pela coletividade.

É justamente nesses momentos que precisamos redobrar nossa atenção, pois a força do coletivo pode tanto despertar nossa consciência quanto nos arrastar para decisões que, individualmente, talvez não tomássemos. Quando nos deixamos conduzir pelo medo, pela revolta ou pela necessidade de derrotar aqueles que pensam de maneira diferente, corremos o risco de nos tornarmos instrumentos das mesmas forças que julgamos combater.

Nossas escolhas não se limitam, portanto, ao caminho que traçamos para nós mesmos: elas também participam da construção dos caminhos que a humanidade percorre. Se desejamos contribuir para o progresso coletivo, precisamos começar por reconhecer nossas próprias contradições, assumir a responsabilidade por nossos atos e compreender que nenhuma escolha verdadeiramente orientada para o bem pode prescindir da consciência de seus efeitos sobre o outro.

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