A ESCRAVIDÃO DO INTELECTUALISMO

Não te tornes escravo das palavras. Cada palavra possui um sentido e muitos significados de acordo com o contexto da escrita ou do discurso, e cada leitor ou ouvinte tem sua própria percepção. Uma sequência de palavras pode ter vida, conter uma ideia, guardar um mistério, algo que é compreensível aos que se desapegam das palavras e buscam pela essência do texto, mas pode ser incompreensível aos que só leem palavras como arranjo intelectual.

 

Os artistas das palavras são capazes de encantar plateias de leitores e ouvintes, os eruditos de academia e seus seguidores fanáticos. Mas para quem busca pela essência, as camadas vão surgindo momento a momento na leitura e a ideia se revelando gradativamente como uma semente que germina, e, aos cuidados do leitor, cresce e floresce em seu coração.

 

Os livros dizem a mesma coisa sempre aos que acreditam em palavras. O sábio não lê palavras, mas busca por suas essências; lê o que está entre as palavras, que se esconde no mistério da ideia entrelaçada nas palavras. Capta o essencial e usa as palavras somente para compor. O sábio usa o intelecto e não se torna seu escravo. Usa a inteligência para extrair o que está entre as palavras e dentro delas; sabe discernir. Nutre sua alma com o néctar que extrai das palavras, mas não as leva para dentro da alma.

 

Cada ensinamento dos mestres, sejam aqueles que estão nos livros ou os que são transmitidos oralmente, possui muitas camadas que se entrelaçam nas palavras, e aqueles que se prendem nas palavras perdem o sentido profundo da alma do texto. A alma do texto é a ideia posta em camadas para que seja compreendida tempo a tempo no estudo, na medida da expansão da consciência.

 

Aprenda a ler e não somente digerir palavras. O intelecto pode ser teu servo, ou te escravizar. Ele é uma ferramenta a serviço da inteligência, frequentemente confundido com ela, especialmente pelos eruditos de academia. Não te tornes escravo das palavras e do teu próprio intelecto. Inteligência é criatividade, intelecto é memória.

 

Luìz Trevizani – 11/08/2023

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