A ORIGEM DO TARÔ E O MISTÉRIO NÃO REVELADO

“À sombra da Árvore da Vida, o ser humano, adormecido sonha jogando a sorte sobre o Grande Livro do Tarô.”

 

Muitas vezes já nos perguntamos, o que é o Tarô?

 

Qual é a sua origem?

 

Quais são os segredos guardados em seus Arcanos?

 

Ele é só um jogo de cartas criado para especular o futuro e bisbilhotar o passado, ou um livro sagrado não escrito mas codificado na forma de Arcanos?

 

Certamente não encontraremos a resposta enquanto estivermos aprisionados aos conceitos e ideias recorrentes nas diversas publicações. Embora alguns autores nos deem pistas valiosas e alguma direção a seguir, como é o livro História do Tarô, Ed. Pensamento, cuja autora, Isabelle Nadolny,o inicia com esta pequena, mas bela história popular que alguém escreveu em algum papiro que se perdeu no tempo, e ela mesma depois se embrenha na mais completa pesquisa sobre a história desses oráculos vinculados ao Tarô através dos séculos até nossos dias. Entretanto, concernente a todo esforço e belo trabalho de pesquisa realizado, a autora ainda não revela o mistério do Tarô.

 

Eis a história contada sobre a origem do Tarô:

 

“Há muito tempo, todos os sábios hierofantes, depositários da tradição oculta do Egito, reuniram-se para debater um gravíssimo problema. Devido às suas faculdades proféticas, eles haviam adquirido a certeza de que sua civilização logo se desintegraria e, com ela, os templos dos deuses e as escolas iniciáticas, onde a Verdade era transmitida desde sempre de mestres a discípulos. Tratava-se, portanto, de encontrar um meio de preservar da destruição os pontos mais importantes dessa Verdade oculta, para que ela pudesse novamente ser revelada no momento oportuno.

 

‘Gravemos os textos de nosso saber ancestral nos muros de pedra do templo mais venerável’, propôs um dos membros da assembleia. Contudo, objetaram-lhe que mesmo o templo mais sólido não resistiria às devastações causadas pelo tempo nem aos ataques dos invasores. ‘Vamos gravá-los nas placas do metal mais resistente’, disse outro. Porém, retorquiram-lhe que, se fosse um metal nobre, estaria inevitavelmente sujeito à cobiça, e se fosse um metal vil, não resistiria à ferrugem.

 

Outro membro arriscou: ‘Concedemos nossos arcanos a um homem simples e virtuoso que, antes de morrer, os transmitirá a outro homem simples e virtuoso e assim por diante, até que novamente a Verdade possa ser professada e compreendida’. No entanto, responderam-lhe que mesmo as almas mais puras não escapariam à tentação.

 

Então, o mais jovem dos adeptos disse: ‘Vamos nos servir dos vícios, dos pecados, das paixões deletérias do homem para preservar o depósito de nossas doutrinas secretas. Vamos exprimi-las em um conjunto de figuras aparentemente inocentes que, multiplicadas ao infinito, servirão para aplacar uma das paixões mais intensas do homem: a paixão pelo jogo. Confiemos às energias do mal os germes de Verdade contidos na condição da salvação e da felicidade do mundo’.

 

Essa proposta foi aceita. Os adeptos fixaram em imagens simbólicas os axiomas de suas doutrinas secretas, criando um jogo que puseram em circulação e que preservou, de maneira alegórica, as Verdades ocultas. Essa seria a origem do Baralho de Tarô.”

 

Luìz Trevizani – 04/10/2023

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