O Sussurro que Acorda a Alma

O despertar é um incômodo desejo de ver a si mesmo de dentro para fora. A alma sussurra, clamando pelo espaço de manifestação da consciência, e a dor torna-se, quase sempre, a linguagem e o último recurso desse chamado. Enquanto é possível retardar esse encontro, o ser humano permanece absorto em suas ilusões e, mesmo quando busca, não sabe exatamente o que procurar; perde-se na repetição de rituais, segue mandamentos e evita questionar dogmas, pois teme caminhar sozinho – ensinaram-lhe que, para alcançar o divino, são necessários intermediários.

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A Inquietação Abafada da Culpa

A consciência pode ser compreendida como um sistema operacional ativo na alma, dotado de múltiplas funções. Entre elas, destacam-se três: o vigilante, o observador e o acusador. O vigilante permanece em constante estado de alerta, atento a cada atitude, pensamento, emoção e comportamento, transmitindo essas informações ao observador. Este, por sua vez, analisa, avalia e organiza um relatório que é encaminhado ao acusador. Cabe a ele carimbar o resultado e ativar os mecanismos de resposta.

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A Desconexão Fatal

O ser humano criou para si um problema fundamental que, paradoxalmente, não consegue resolver sozinho. Diante dele, vê-se frequentemente levado a buscar respostas para seus conflitos, dúvidas e decisões em outras pessoas ou em profissionais especializados, perguntando: “O que devo fazer?” Não se trata apenas de decisões relacionadas a cargos de liderança ou responsabilidades externas – embora também ocorram nesse campo –, mas sobretudo de escolhas íntimas que a própria vida exige de cada indivíduo.

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A Verdade e o Espelho da Realidade

Nossas inquietações, dúvidas e medos em relação à nossa origem e ao nosso futuro indicam que há, em nossa constituição sutil, uma ideia plantada por uma inteligência que nos criou. Essa impressão não surge apenas como um conceito abstrato, mas como um impulso silencioso que nos move à busca de significado. Há, no íntimo do ser humano, uma memória velada que pressente sua própria fonte, ainda que não consiga nomeá-la com precisão.

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O Despertar no Labirinto Interior

É simples viver quando permitimos que a alma manifeste o seu potencial e abrimos espaço para que as riquezas da mente fluam de seus campos superiores. A intuição é um desses mecanismos da mente elevada: suave brisa que sopra da alma, enviando sinais pelo caminho da evolução, alento de esperança ao amanhecer e lume para os sonhos à noite.

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O Observador, o Arquiteto e o Operário

Somente a essência do ser humano pode alcançar a essência interior das coisas e de todo o Universo. A não ser que seja guiado por ela, o ser humano somente pode reconhecer o lado exterior das coisas. – O Livro de Mirdad, Mikhail Naimy

Este artigo é uma metáfora. É a metáfora sobre a realidade da vida de um ser humano que perdeu sua essência pelo caminho.

Metáforas são verdades ditas em forma de poesia.

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Nosso Falar é uma Guerra de Palavras

Tal qual espadas ou armas de fogo, nossas palavras são os instrumentos com os quais travamos um intrincado jogo de disputas por espaço, poder, domínio, posse e prestígio. Nosso falar é, na melhor das hipóteses, uma mentira honesta, bem-organizada a serviço do desejo. As palavras são as flechas do pensamento, imantadas ora pela doçura do bem, ora pela amargura do mal que brota de nossos desejos mais secretos – aqueles cuja verdadeira intenção nem mesmo nós compreendemos, pois se escondem em camadas mais profundas da consciência.

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Quando Nosso Olhar Muda a Direção

Nossos olhos são as lentes pelas quais capturamos as imagens externas. Mas eles são apenas lentes: não interpretam nem classificam o que passa por eles. Costuma-se dizer que é o cérebro quem realiza essa tarefa, mas há aí um equívoco. O cérebro é apenas a máquina que processa um sistema operacional – as pressuposições básicas – e, sobre ele, os demais programas que vamos adicionando ao longo da vida. Então, se não são os olhos nem o cérebro que interpretam e classificam, quem é o observador?

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Direito e Dever

A harmonia da vida não reside na reivindicação egoísta de privilégios, mas no equilíbrio sagrado entre o que oferecemos ao mundo e o que dele recebemos. Ao compreendermos que o dever é o alicerce e o direito é a consequência natural que se ergue sobre ele, transmutamos a existência de uma busca por vantagens externas e egocêntricas em uma jornada de maestria interior. É nesse alinhamento entre a ação ética e a consciência livre que o ser humano deixa de ser um súdito das circunstâncias para se tornar o arquiteto de seu próprio destino.

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