Meditação Andando

“Meditação andando é meditar enquanto se anda. Andamos devagar, de forma descontraída, mantendo um leve sorriso nos lábios. Com esta prática, nós nos sentimos profundamente à vontade, e nossos passos serão os da pessoa mais segura do mundo. Todas as nossas preocupações e ansiedades desaparecerão; paz e alegria vão encher o nosso coração. Toda pessoa pode fazê-lo. Leva apenas um pouco de tempo, requer um certo grau de consciência e o desejo de ser feliz”.

 

Observemos, a partir de agora, como é o nosso andar. Quando caminhamos, conseguimos manter a consciência presente no andar, nos passos e sentir o chão sob nossos pés? Caminhar todos o fazem, mas são poucos os que conseguem manter a sua consciência focada no centro do movimento.

 

Todo ato pode ser uma meditação, pois a meditação é um meio pelo qual nos tornamos consciente e presente no ato. Colocar-se em posição de meditação, como na tradicional posição de lótus, é um meio pelo qual nos tornamos conscientes, um ato, mas qualquer ato pode ser meditativo – caminhar, desempenhar uma tarefa, escrever, ler, estudar…

 

A meditação traz outro benefício importante – o não julgamento. Por meio da meditação conseguimos abstrair a mente julgadora dos consensos aceitos  sobre as coisas, as pessoas e os eventos, e dessa maneira podemos observar e extrair o que mais se aproxima da verdade em cada experiência. O julgamento nos coloca sempre no compromisso de ter que assumir uma posição, seja ela à direita, à esquerda ou neutra. E isso, de certa maneira são apenas conceituações engendradas pelos consensos que acolhemos do senso comum. O não julgamento nos permite enxergar para além dos conceitos do senso comum. Uma observação única com a compreensão própria.

 

Alguém perguntou a Buda – “O que o senhor e seus discípulos praticam?” Ele respondeu – “Nós nos sentamos, nós andamos, nós comemos”. O inquiridor continuou – “Mas, senhor, qualquer um senta, anda e come”. Buda lhe disse – “Quando nos sentamos, sabemos que estamos sentados. Quando andamos, sabemos que estamos andando. Quando comemos, sabemos que estamos comendo”.

 

Na maior parte do tempo estamos perdidos no passado, ou arrebatados pelo futuro. Quando estamos conscientes, intensamente em contato com o momento atual, aprofunda-se a nossa compreensão do que está acontecendo e começamos a ser preenchidos de aceitação, alegria, paz e amor.