AMOR À DÚVIDA

“Quem não suporta a dúvida não suporta a si mesmo. O forte tem a dúvida, mas a dúvida possui o fraco” – Jung.

 

 As certezas não são da natureza humana, as dúvidas sim. Mas o ser humano tende a se afirmar nas certezas criadas por ele mesmo, sinal de sua fraqueza e domínio da dúvida sobre sua autoconfiança. Seria uma afirmação de seu ego?

 

Consideremos, no entanto, dois níveis da dúvida. No primeiro nível, a dúvida como reflexo da insegurança; aqui temos a dúvida na posse do ser humano contaminando suas tomadas de decisões. No segundo, ao tomar posse da dúvida o ser humano começa a questionar tudo aquilo que lhe parece improvável, a duvidar das coisas que já não lhe parecem mais ter sentido, como certos dogmas e proselitismos da religião e da política por exemplo, e aprende a discernir. Então a dúvida se torna sua aliada e começa a mudança.

 

A dúvida abre caminho para aprendizados importantes, partindo do discernimento, que é uma das maiores carências do ser humano que segue adormecido no senso comum.

 

O senso comum, na prática é um fazer o que todos fazem, do jeito que todos fazem sem saber porque todos fazem. Uma definição bem simples que reflete o que é de fato o senso comum em termos de atitudes e comportamentos. 

 

A dúvida estimula o pensar; o pensar produz a razão, e a razão é o resultado do discernimento no exercício da inteligência.

 

A faculdade mental do pensar, quando exercida no modo “eu penso” produz resuluados criativos, mas esse é um modo pouco usual já que a maioria dos seres humanos pensa os pensamentos coletivos. Ou seja, replica pensamentos do senso comum, que transitam pela mente coletiva mais conhecida como inconsciente coletivo.

 

A Inteligência Una é o atributo mais importante herdado do Criador de Tudo, e o princípio que está impregnado no âmago da natureza em todas as suas formas e manifestações, em graus e níveis diversos de expressão.

 

Sem a Inteligência Una o ser humano seria incapaz de discernir, amar, perdoar, progredir, evoluir.

 

O ser humano, por ser dotado do mais elevado grau de inteligência possível nas expressões da matéria, ocupa também a posição mais elevada na escala evolutiva do Planeta. Mas isso não garante sua hegemonia absoluta como ser inteligente.

Observa-se na natureza, que certos animais parecem ser mais inteligentes que o ser humano. Talvez porque ainda não possuem uma mente lógica e não têm que se preocupar com erudições intelectuais, com cientificismos dogmatizados, com o moralismo infernal das religiões, porque ainda são livres dessas prisões humanas.

 

A palavra inteligência é usada para descrever as ações diversas geradas pelo Princípio Inteligente Uno do ser humano, naturais e espontâneas ou artificiais, como sendo diversas “inteligências”, quando são, na verdade, aplicações ou formas diversas, criativas e relacionais, da mesma Inteligência Una.

 

A Inteligência é Una e suas expressões são diversas, mas não são múltiplas inteligências.

 

Por não estar plenamente consciente de sua Inteligência Una, o ser humano tornou-se fraco e foi possuído pela dúvida, e a dúvida deixou de ser um benefício e tornou-se semeadura de diversidades de caminhos obscuros e incertos na mente. E para se defender do temor da dúvida o ser humano cria certezas numa confusão de conceitos tentando enquadrar tudo no seu intelecto, e sua criatividade decai para mera arte de juntar palavras em erudição. As certezas são criadas como suas defesas diante do medo de encarar a dúvida como aliada.

 

São as dúvidas que instigam o ser humano a discernir e fazer escolhas cada vez mais conscientes e assertivas pelo esforço do pensar em busca da razão, sendo ainda, estímulo ao desenvolvimento da intuição.

 

Luìz Trevizani – 21/08/2023

 

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